O

destino de toda existência humana é a morte. A Vida se manifesta como um processo de permanente transformação das coisas, em que tudo é passageiro e se perde na totalidade do Ser em movimento, transfigurando-se.

É uma grande ilusão, portanto, para o ser humano apegar-se ao que é efêmero, na expectativa vã de alcançar a felicidade tão somente por meio da posse dos recursos materiais ou pelo exercício do poder – pelo “ter”. Tudo é vaidade das vaidades. Tudo passa!

Eis porque, no “silêncio das mansões”, são “frios os corações” dos que apenas “têm” – na forte e metafórica imagem esculpida na letra da canção, inspirada no filme O Discreto Charme da Burguesia, do célebre diretor espanhol Luis Buñuel.

A “dor de viver” (o “estar no mundo”) – a todos inescapável – só pode ser enfrentada, na visão do autor, pela aceitação e mentalização da própria finitude; isto é, “possuída” (domada e transformada) por meio de uma sábia atitude existencial devidamente sintonizada na dimensão do “ser”; ser para os outros – aquela do amor recíproco, que dilata o “ser” para além do “ter” e o plenifica, conferindo sentido transcendente à existência.

É o Amor, por conseguinte, a descoberta do valor da fraternidade o segredo da realização humana sugerido pela composição. O verdadeiro e único caminho da felicidade possível, anunciado na “Palavra” de “Alguém” (Jesus) que, há muito, “já falou”. O Verbo da Vida revelado – resposta, enfim, para a questão shakespeariana que inspira o título da canção.

Ser ou Nao SerEdilberto Barreiros
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Música: Edilberto Barreiros

Letra: Heleno de Oliveira