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Emanuel Matos

eu encontro com o GEN SINCO foi antes do seu nascimento.

Foi no ano de 1967, quando ainda era um simples Conjunto de Jovens do Movimento dos Focolares, sem qualquer denominação específica.

O encontro foi proporcionado por um dos seus integrantes, colega meu de escola e, posteriormente, um grande amigo, chamado Abel Guimarães, cuja família era toda envolvida com o Movimento.

Ingressei no grupo depois de assistir a uma ou duas apresentações, convidado pelo, então, responsável pelo mesmo. Um focolarino que viria a ser um dos grandes responsáveis pela minha formação cultural e espiritual. Chamava-se Heleno Affonso de Oliveira. Professor de Literatura e poeta por vocação, carregava uma sólida formação cultural, marcada por uma síntese extraordinária entre a concepção/visão de cultura e uma perspectiva transcendental da vida e da existência, de muita sabedoria.

Passei a fazer parte do grupo musical como cantor, embora tivesse pouquíssimo talento para tal; ficando evidente para mim que o mais importante, naquele meio, não eram as competências individuais, mas a disposição de cada um para uma vida comunitária fundada no amor recíproco e no desejo de transmitir a mensagem cristã.

Posteriormente, passei a dividir com outros a responsabilidade de expressar, no palco, textos da fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich; de poetas, em geral, e outros gêneros literários – incluídos, aí, muitos escritos do próprio Heleno, responsável por seguir o grupo e seu principal inspirador.

Foi essa convivência, nutrida por essa experiência e visão de mundo, que me despertou o interesse pela Literatura e pelas Ciências Sociais, que depois plasmaram a minha profissão, a minha produção (poemas e canções) e o meu caminho.

No GEN SINCO vivi anos maravilhosos de formação e de descobertas: de Deus, da amizade, aquelas culturais e dos problemas do mundo, marcadamente as questões sociais, econômicas e políticas – numa percepção de incomum universalidade e abertura. Muito aprendi da complexidade do mundo e das relações humanas.

Fiquei no conjunto até o final do ano de 1973, quando sai de Belém para fazer a Escola de Focolarinos, na Itália – onde residi por dois anos.

Em 1979, já de retorno definitivo à Belém, reassumi a participação no GEN SINCO, na condição de acompanhante e supervisor do grupo, além de responsável pelos roteiros, textos de canções e direção dos espetáculos – mas, sempre, como resultado de uma experiência coletiva, que permitiu o aprofundamento da experiência original. Experiência esta que pode ser definida como o exercício de aprendizagem da vida onde todos tinham alguma coisa para dar e ensinar. Fui, assim, também (e sempre), um aprendiz.

Esta segunda fase de meu envolvimento com o Grupo se estendeu até 1983, período em que foi consolidado na minha vida, por experiência concreta do amor recíproco, o desejo de trabalhar por um mundo mais justo e mais bonito – o que me obrigou, por razões de compromissos assumidos (inclusive profissionais), ao afastamento.

Por tudo, devo a todos do grupo com quem convivi uma riqueza de experiências que me mantém vivo até hoje.

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