Francisco Henriques Filho

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Fabrício Cruz

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ara falar da minha experiência no GEN SINCO, preciso começar dizendo que, felizmente, nasci – por assim dizer – dentro do próprio ambiente do Conjunto, pois meus pais fizeram parte da primeira formação dos dois grupos artístico-musicais do Movimento dos Focolares, no Norte do Brasil: minha mãe, Maria do Carmo, era guitarrista e cantora do Conjunto As Centelhas, enquanto meu pai, Rilson Cruz, baixista e violonista do GEN SINCO. As canções e as estórias dos concertos, bem como as viagens e as aventuras dessas bandas sempre fizeram parte do meu imaginário e de minha vida, e influenciaram, desde a infância, meu gosto por todas as belíssimas canções de ambos os grupos.

Comecei a aprender violão popular com meus pais, aos 8 anos; e muitas das canções do Movimento dos Focolares já faziam parte do meu repertório – afora a paixão pela MPB e por música erudita. Aos 12 anos tive, também, a oportunidade de ser aluno de violão e guitarra de um grande músico e guitarrista do GEN SINCO (também pertencente à primeira geração do Conjunto), o Edilberto Barreiros, com quem pude aprimorar minha técnica e aprender, mais ainda, sobre as composições do Grupo. Vê-se, assim, o quanto eu já estava envolvido, por osmose, com tudo aquilo (risos)!

Aos 13 anos, eu já tocava em praticamente todos os encontros do Movimento dos Focolares; época em que, nesse âmbito, o cenário musical estava em pleno reflorescimento, ficando cada vez mais atrativo e empolgante! Foi quando, no final de 1997 (não lembro a data exata), o nosso responsável pelo Movimento GEN, que estava chegando em Belém para assumir a turma, demonstrou ser um apaixonado por música, teatro, dança e artes em geral. Leopoldo Queiroz (Léo) começou a incentivar e fecundar ainda mais esse cenário e, assim, cada vez mais jovens se interessavam em estar presentes nos nossos encontros e em participar diretamente da banda, do coral ou de qualquer expressão artística, ligada ao Movimento.

No início de 1998, dessa feita, foi amadurecendo a ideia de reavivar o GEN SINCO. E quando o convite chegou a mim, não tenho aqui palavras para descrever a tamanha alegria que senti; pois, poder participar de uma experiência como essa era como um sonho acalentado, uma vez que, até então, eu só havia vivido esse tipo de “experiência” através estórias narradas por meus pais.

Logo começamos a reunir um grupo pequeno, que tinha a missão de animar os encontros da Palavra de Vida, os encontros de carnaval, as escolas GEN, as Mariápolis, as missas – e por aí vai. Tudo isso já era uma grande aventura, até que o Léo – pra mim e para muitos, até hoje, um “louco”, por acreditar em nós (risos) – veio com a ideia de dar vida, novamente, ao GEN SINCO, como fora nas décadas de 1960, 70 e 80, quando havia grandes concertos e tournées. Se eu disser que não deu medo, é mentira; mas confiamos, realmente, em nossa unidade e que, portanto, seria, sim, possível!

Foi, então, agendada a reestreia do Conjunto em dois grandes teatros: o Theatro da Paz, em Belém, e o Teatro das Bacabeiras, em Macapá. Assim, demos início à produção do espetáculo, o que foi realmente marcante para todos nós; pois, mirando à experiência dos primeiros integrantes, conseguíamos nos fortalecer para continuar firmes em nosso propósito e, seguindo os seus passos, vieram os ensaios até altas horas da noite, estudos e reuniões, até alcançarmos o padrão almejado – ou, pelo menos, perto disso.

 

Algo que sempre me marcou era uma frase que meu pai dizia: “É muito melhor o menos perfeito na unidade do que o mais perfeito na desunidade”. E foi sob essa máxima que seguíamos em frente! Claro que não foi fácil! Houve brigas, choros, discussões; mas houve, não obstante, muito mais momentos de alegria e de unidade plena entre nós.

Lembro de uma vez que nos isolamos em um sítio, por cinco dias, para ensaiar das 08:00 às 20:00 hs. E, ainda assim, tínhamos força para nossos momentos de meditação e, também, de lazer. Foram momentos realmente fantásticos (!); momentos super marcantes de ensaios, que contaram, em algumas ocasiões, com a presença de meu pai, Rilson e, também, do Edilberto – os dois, várias vezes, dando-nos super dicas e ensinando, cuidadosamente, as canções de sua geração.

No GEN SINCO foi onde comecei a nutrir, igualmente, minha paixão pela composição e arranjo, e onde surgiram as minhas primeiras composições. Algumas tornaram-se muito significativas no momento dos espetáculos – assim como pra mim, pessoalmente –, a exemplo da canção Estou só, brotada de um colóquio com o Léo, quando lhe narrei uma determinada experiência pessoal e de como eu havia me sentido naquele momento, cujo efeito me inspirou a criar uma harmonia ao violão. No dia seguinte, ele apareceu pra mim com uma letra para essa música, toda ela baseada em minha experiência.

Houve também um outro momento em que eu estava improvisando na guitarra, no intervalo de um ensaio, e o Diego Barra, escutando aquela melodia, começou a escrever uma poesia, de cuja parceria surgiria a canção Lua Supernova – da mesma forma que outras composições e quase toda a produção do nosso primeiro espetáculo.

Após nossa estreia, seguimos tocando em várias cidades do interior do Pará e em eventos, principalmente religiosos, em Belém. Com certeza, posso dizer, com muita segurança, que a experiência de ter participado do GEN SINCO me transformou como pessoa e como profissional, pois foi a partir daí que decidi seguir a carreira de músico.

 

Fiz minha graduação em música pela Universidade Federal do Pará (UFPA); depois, minha especialização em composição e arranjo, também pela UFPA/ICA; e, por último, finalizei este ano meu Mestrado em Artes, com ênfase em Educação Musical, também pela mesma universidade.

Garanto que devo grande parte de tudo isso a essa experiência maravilhosa que vivemos. Sou muito grato ao Movimento dos Focolares, a Chiara Lubich e a cada um dos integrantes do GEN SINCO de minha geração e, mais ainda, das gerações anteriores, por todo o empenho e por toda a produção maravilhosa que nos permitiu, também, viver um pouquinho dessa divina aventura.